James Patterson retorna com um novo thriller em ‘Second Honeymoon’

James Patterson mantém seu talento para suspense palpável e arrepiante em seu último romance, “Second Honeymoon”. Aqui está um trecho.

'Second Honeymoon'
Hoje

Prólogo | COISAS QUE GOLPEAM À NOITE

1

O menino seria famoso em todo o mundo um dia, mas não havia como ele imaginar isso agora. Que criança poderia prever o futuro ou começar a entendê-lo? Ned Sinclair, de sete anos de idade, estendeu a mão na escuridão, a mão cegamente sentindo a parede ao sair do quarto. Ele não se atreveu a acender uma luz no corredor. Ele não ousou fazer um som. Nem mesmo um pio. Ainda não.

Lentamente, Ned andou na ponta dos pés pelo corredor longo e estreito, o frio do piso de madeira no meio de um inverno de Albany, que subia até o pijama do Super-Homem. Ele estava tremendo, gelado, seus dentes à beira de tagarelar.

Procurando pelo corrimão no topo da escada, o braço de Ned balançou para a frente e para trás como um galho delicado preso ao vento. Ele não sentiu nada … ainda nada … entãosim, ai estava– a curva suave do pinho laqueado contra as pontas dos dedos.

Ele segurou o corrimão, branco-knuckled, todo o caminho até o primeiro andar, um passo quieto de cada vez.

Mais cedo naquele dia, Ned quase esqueceu o quanto estava aterrorizado pela noite. Sua irmã mais velha, Nora, o levou para ver o novo filme na cidade, uma sequência, De volta ao futuro Parte II. Ele era jovem demais para ver o original quatro anos antes.

Leia um trecho da “Escola Secundária de James Patterson: Como eu sobrevivi a valentões, brócolis e cobra”

Sentado no teatro escuro com um grande balde de pipoca amanteigada em seu colo e uma RC Cola, Ned estava completamente e maravilhosamente fascinado pelo filme, especialmente aquele carro DeLorean..

Se ao menos eu pudesse viajar no tempo, ele desejava mais tarde. Eu não quero mais estar aqui. Eu não gosto daqui.

Ele não se importaria para onde ele iria, contanto que fosse longe de sua casa – e o terrível bicho-papão que assombrou tarde da noite. Ele e Nora fariam sua grande fuga e viveriam felizes para sempre. Uma nova cidade. Uma casa nova. E no jardim da nova casa? Nada além de lírios amarelos, o favorito de Nora.

Ele amava muito sua irmã. Sempre que as outras crianças do quarteirão zombavam de sua gagueira—Ne-Ne-Ne-Ned, eles provocariam cruelmente – Nora sempre defendia ele. Ela até lutou por ele. Nora era tão dura quanto qualquer menino. Talvez onde quer que fossem, seria bom se casar com sua irmã.

Mas por enquanto, ele ainda estava preso em sua casa. Um prisioneiro. Preso. Deitado acordado cada noite horrível esperando o som que ele rezou nunca viria … mas sempre fez.

Sempre, sempre, sempre.

O bicho-papão.

Dois

Ned virou à direita no pé da escada, as mãos ainda o guiando na escuridão enquanto atravessava a sala de jantar e a sala, coberto de carpete felpudo bege, antes de parar na porta da biblioteca de seu pai, onde ele não estava. Não é permitido dentro, nem sempre.

Ele congelou quando o aquecimento do rodapé gorgolejou e depois bateu algumas vezes, como se estivesse sendo batido forte e rápido com um martelo. O barulho foi seguido pelo som de um rio de água correndo pelos canos velhos e enferrujados. Mas nada mais que isso. Não havia outros passos nem vozes na casa. Apenas seu próprio coração batendo loucamente contra o peito.

Volte para a cama. Você não pode lutar contra o bicho-papão agora. Talvez quando você é maior. Por favor, por favor, por favor, volte para a cama.

Exceto que Ned não queria mais ouvir aquela voz dentro de sua cabeça. Havia outra voz falando com ele agora, muito mais forte. Mais ousado Destemido. Ele disse a ele para continuar. Não tenha medo! Não seja um gato assustado!

Ned entrou na biblioteca. Na janela havia uma mesa de mogno. Estava iluminado pelo brilho nebuloso de um pequeno relógio elétrico, do tipo daqueles números em forma de flip que giravam como aqueles num placar antiquado..

A mesa era grande, grande demais para o quarto. Ele tinha três gavetas grandes no lado esquerdo da base.

A única gaveta que importava era a inferior. Sempre foi mantido trancado.

Alcançando a mesa com as duas mãos, Ned agarrou uma velha caneca de café que era usada para guardar lápis, canetas, borrachas e clipes de papel. Depois de respirar fundo, quase como se contasse até três, ele ergueu a caneca.

Lá estava. A chave. Assim como ele encontrou semanas antes. Porque meninos curiosos de sete anos podem encontrar quase tudo, especialmente quando não deveriam.

Ned pegou a chave na mão, apertou-a entre o polegar e o indicador antes de colocá-la na fechadura da gaveta de baixo..

Ele deu a chave um leve giro no sentido horário até ouvir o som. Clique!

Então, com tanto cuidado, devagar, para não fazer barulho, Ned abriu a gaveta..

E tirou a arma.

Três

Olivia Sinclair se levantou na cama tão rápido que a deixou um pouco tonta. Seu primeiro pensamento foi que o calor tinha chegado, aquele barulho barulhento e horrível vindo dos canos que praticamente abalariam a casa..

Mas é por isso que ela sempre usava os tampões de cera quando ia para a cama, para poder dormir com tudo isso. Os tampões de ouvido sempre funcionavam também. Nem uma vez ela se lembra de acordar no meio da noite.

Até agora.

Euf que o barulho não era o calor e os canos, o que era? Tinha que ser algo.

Olivia se virou para a esquerda para ver a hora. O relógio na mesa de cabeceira dizia 12:20 da manhã..

Ela virou para a direita para ver o travesseiro vazio ao lado dela. Ela estava sozinha.

Olivia tirou os tampões de ouvido e tirou as pernas da cama, com os pés descalços encontrando rapidamente os chinelos nas proximidades. No segundo em que acendeu a luz, ela foi sacudida por outro ruído. Este reconheceu instantaneamente. Foi um grito horrível, horrível.

Nora!

Estourando do quarto, Olivia correu pelo longo corredor estreito em direção ao quarto da filha, onde a luz estava acesa..

Quando ela virou a esquina na porta, ela se sentiu pior do que tonta. Ela sentiu-se mal do estômago.

Havia sangue por toda parte. No chão. Em cima da cama. Espalhou na parede pintada de rosa entre cartazes de Debbie Gibson e Duran Duran.

Os olhos de Olivia se espalharam pelo resto do quarto. Ela respirou fundo. O cheiro dos tiros ainda estava pesado no ar. Em um momento rápido e totalmente horripilante, ela percebeu o que tinha acontecido.

E o que vinha acontecendo há mais de um ano.

Meu Deus! Minha filha! Minha filha doce e inocente!

Nora sentou-se encolhida na menor bola junto à cabeceira de sua cama. Seus braços estavam envolvidos firmemente em torno de seus joelhos. Ela estava nua. Ela estava chorando. Ela estava olhando para o irmão dela.

Do outro lado da sala no canto, Ned, pálido como a neve do inverno lá fora, estava congelado como uma estátua em seu pijama do Super-Homem. Ele não conseguia nem piscar.

Por um segundo, Olivia ficou paralisada também. No segundo seguinte, porém, foi como se ela de repente se lembrasse de quem era. Estes eram seus filhos.

Ela era a mãe deles.

Olivia correu para Ned e se ajoelhou para abraçá-lo, apertando-o com força contra seu peito. Ele começou a murmurar algo, repetindo-o repetidas vezes. “O bicho-papão”, soava como.

“Shh”, Olivia sussurrou em seu ouvido. “Está tudo bem. Tudo bem, querida.

Então, com muito cuidado, ela tirou a arma da mão dele.

Lentamente, ela caminhou até a porta, olhando para trás mais uma vez na sala. Sua filha. O filho dela.

E o “bicho-papão” morto no chão.

Momentos depois, ela pegou o telefone no corredor. Ela ficou lá segurando o fone por um longo momento, então discou.

“Meu nome é Olivia Sinclair”, disse ela à operadora do 911. “Eu acabei de matar meu marido.”

Copyright © 2013 por James Patterson